UMA PERGUNTA QUE POUCOS OUSAM FAZER…
Se os apóstolos eram tão importantes para a Igreja, por que eles não deixaram sucessores com o mesmo título?
Ao lermos o Novo Testamento, vemos que Jesus escolheu os doze apóstolos e, posteriormente, Paulo foi chamado de forma extraordinária pelo próprio Cristo ressuscitado (Atos 9:3-6). Porém, após isso, não encontramos os apóstolos criando novos apóstolos para substituí-los ou sucedê-los.
Quando Judas morreu, sua substituição ocorreu antes do derramamento do Espírito Santo e obedecendo critérios muito específicos: o candidato precisava ter acompanhado Jesus desde o batismo de João até a ascensão (Atos 1:21-22). Depois disso, nunca mais vemos um processo semelhante.
Paulo afirma que a Igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas:
“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina.” (Efésios 2:20)
Um fundamento é lançado apenas uma vez. Ninguém continua colocando novos fundamentos em um edifício já construído.
O último apóstolo reconhecido pelas Escrituras foi João, que viveu até o final do primeiro século. Após sua morte, surge uma questão intrigante:
Quem foi o primeiro homem, nos séculos seguintes, a declarar-se apóstolo?
Os escritos dos cristãos mais próximos da era apostólica, como Clemente de Roma, Inácio de Antioquia e Policarpo, não se apresentam como apóstolos. Eles se identificavam como bispos, presbíteros, servos ou discípulos de Cristo.
Então por que hoje existem milhares de pessoas reivindicando um título que os próprios discípulos imediatos dos apóstolos não reivindicaram? ![]()
Se você fizer uma pesquisa nos mecanismos de busca na internet, verá que não existe registro de quem tenha sido o primeiro a se entitular apóstolo, mas certamente alguém inventou a moda.
Um breve relato sobre esse fenômeno que não se aplica as Escrituras:
A Bíblia e a tradição cristã não registram nenhuma pessoa que tenha se intitulado ou sido nomeada apóstolo no sentido oficial dos Doze (escolhido diretamente por Jesus em seu ministério terrenal) após a morte do apóstolo João. Historicamente e biblicamente, não existiu um primeiro apóstolo consagrado logo após a morte de João, pois as igrejas cristãs daquela época (século II em diante) entenderam que o título e a função dos “Doze Apóstolos” haviam se encerrado. Quem assumiu a liderança local das igrejas foram os bispos (como Policarpo de Éfeso e Inácio de Antioquia), chamados de Pais da Igreja, e ninguém se autointitulava apóstolo.
O costume moderno de ungir ou consagrar líderes evangélicos com o título de “apóstolo” nasceu nos Estados Unidos na década de 1990 e ganhou força mundial nos anos 2000. Note, que essa expressão “ungir ou consagrar apóstolos” não tem respaldo no Novo Testamento.
A chegada ao Brasil
No contexto brasileiro, o título começou a ser utilizado e popularizado a partir de meados de 2000 por líderes de megaigrejas de vertente neopentecostal e de movimentos de células (como o Modelo dos Doze – M12). Líderes de grandes ministérios passaram a ser ungidos publicamente como “apóstolos” por comitês de outros pastores ou por lideranças internacionais, alterando a hierarquia tradicional que costumava parar no título de pastor ou bispo.
Jesus deixou um alerta solene:
“Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” (Mateus 24:24)
E o próprio Senhor elogiou a igreja de Éfeso porque ela examinava aqueles que diziam ser apóstolos:
“Puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são, e tu os achaste mentirosos.” (Apocalipse 2:2)
A questão não é atacar pessoas, mas buscar a verdade nas Escrituras, a qual é a nossa única regra de fé e conduta. Se os apóstolos não estabeleceram uma sucessão apostólica de novos apóstolos, de onde veio essa prática? Da Bíblia ou das tradições humanas?
O que você pensa sobre isso? Deixe sua opinião nos comentários.
Vamos conversar com base nas Escrituras.
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